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II Colóquio de Estudos Germânicos “Mito e magia”

17 a 20.10.06

Faculdade de Ciências e Letras da UNESP/Araraquara

 

RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES

 

As comunicações cobrem as seguintes áreas de pesquisa:

-        mito e magia

-        literatura e cultura alemã

-        língua alemã e ensino

 

Segue-se a relação de resumos aprovados para apresentação nas respectivas sessões de comunicação.

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “BANCOS DE TEXTOS EM ELABORAÇÃO”

 

Título: Ampliação de Banco de Textos Jornalísticos Alemães

Autor: Diogo Leandro de Moraes Modesto

Vínculo: Letras – UNESP-Araraquara

E-mail: diogo.le@bol.com.br

Resumo: Este trabalho tem como objetivo ampliar o Banco de Textos Jornalísticos de Língua Alemã dando prioridade aos textos que abordam um assunto específico: economia. Há nos arquivos armazenados outros tópicos, como Ciência, Cultura, Política, Esporte e Televisão, porém o foco do trabalho é em Economia. O tema é trabalhado de acordo com uma pesquisa feita em três sites de renomados jornais alemães: “Die Welt” (www.welt.de); “Die Zeit” (www.zeit.de) e “Frankfurter Allgemeine” (www.faz.net/s/). O trabalho consiste na busca e armazenagem de textos que discutem sobre o macro-tema economia e os micro-temas que também tratam, de certa forma, do assunto abordado. Posteriormente, junto com o orientador (Prof. João Moraes Pinto Júnior), será realizada uma seleção de todas as matérias arquivadas e haverá a organização dos textos retirados dos jornais alemães. Por fim, será elaborado um glossário de termos técnicos da área de Economia, foco da pesquisa.

 

Título: Elaboração de um mini-dicionário de regência verbal Português/Alemão

Autora: Camila Pereira de Abreu

Vínculo: Letras – UNESP-Araraquara

E-mail: camilaabreu@hotmail.com

Resumo: ?

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “MITO NA CONTEMPORANEIDADE”

Título: O imaginário português pelo olhar de António Lobo Antunes

Autor: Priscila Maria Mendonça Machado

Vínculo: Letras – UNESP-Araraquara

E-mail: p3m_4@hotmail.com

Resumo: Segundo Eduardo Lourenço, na trama do imaginário português convivem: a imagem do reino cristão, o sentimento de isolamento e fragilidade, o sebastianismo e a idéia de um povo messiânico, a visão de um país predestinadamente colonizador e oniricamente imperial. Lobo Antunes compactua desta constituição do imaginário português. Mas não é por acaso que o autor é conhecido por ser uma ferida aberta de Portugal, ele mostra os mitos portugueses que formam este imaginário com um olhar crítico. Sem ignorar as mazelas da população, seu olhar devastador também pesa sobre os mitos que rondam a Guerra Civil de Angola e o governo ditatorial de Salazar. Enfim, um autor que se utiliza de mitos portugueses consolidados para formar sua escrita irônica e imperdoável, que será observada nesta comunicação, nos romances “Memória de Elefante” (1979) e “Os Cus de Judas” (1979).

 

Título: Decapitação e esquartejamento: o que faz um fio de cabelo!

Autor: Leandro Passos (CAPES)

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP-Araraquara

E-mail: passosle@yahoo.com.br

Resumo: O retorno ao mito e ao rito realizado pela literatura é um procedimento peculiar na contemporaneidade. Personagens, espaços, ações míticas e, conseqüentemente, seus ritos são transfigurados pela linguagem literária moderna que dá a esses textos antigos uma nova significação. De acordo com Chevalier (1988, p, 440), por exemplo, “a decapitação deriva de um ritual e de uma crença: a cabeça é a sede do espírito”. Os celtas, tanto na Irlanda quanto no continente, cortavam a cabeça dos inimigos vencidos em combate; Orfeu teve a cabeça arrancada pelas bacantes; Medeia cortava e cozinhava os corpos para rejuvenescê-los. Esses costumes têm base religiosa intimamente ligada aos ritos de iniciação. A fim de verificar a presença, a “recusa” e o “esvaziamento” desse texto mítico e de seu rito, utilizaremos o conto da escritora Marina Colasanti “Uma questão de educação” (1986) e os posicionamentos teóricos de Propp (1997) e de Aragão (1980).

 

Título: O barão nas árvores: o maravilhoso nas reflexões contemporâneas de Italo Calvino

Autor: Rafael Nascimento Sousa (CNPq)

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP-Araraquara

E-mail: nascimentosousa@hotmail.com

Resumo: O trabalho Fábulas italianas influenciou sobremaneira a produção literária de Italo Calvino. Nessa valiosa investida o escritor italiano organizou em volume único diversos contos de fadas italianos partindo de coleções regionais organizadas em séculos anteriores. A proximidade cronológica entre este trabalho e a publicação dos três romances reunidos na trilogia Os nossos antepassados e seus próprios comentários acerca da questão são os responsáveis pela caracterização, por parte da crítica, desses romances como os grandes representantes da vena fiabesca do escritor. A presente análise foca-se na segunda obra, O barão nas árvores, publicado em seguida às fábulas, e que apresenta o elemento de irrealidade mais diluído dos três – é, racionalmente, mais acreditável a história de um homem que passa a vida sobre as árvores do que a divisão de um outro em duas metades com vida própria que depois se juntam, ou ainda uma armadura que caminha vazia – e, justamente por isso, é o escolhido para demonstrar a maneira pela qual Calvino emprega as características literárias do gênero maravilhoso para promover a atualização da forma simples por meio da forma artística, e desenvolver uma reflexão sobre a sociedade italiana do seu tempo.

 

Título: A narrativa ‘maravilhosa’ de Dino Buzzati

Autora: Lígia Iara Vinholes

Vínculo: Professora do Departamento de Letras Modernas da UNESP-Araraquara

E-mail: vinholes@uol.com.br

Resumo: O livro de Dino Buzzati mais famoso e de indiscutível sucesso fora da Itália, publicado em 1940, é “O Deserto dos Tártaros”; para apresentá-lo pode se dizer que, nele, a figura e a presença do autor no “Novecentos” italiano foram certamente condenadas num primeiro tempo à solidão e ao desprezo, dado que Buzzati tinha predileção pela condição do homem e seu aparente afastamento da história, da ideologia, de realismo, dos mitos da modernidade. Além disso, exprimia seu repúdio em pertencer a grupos e correntes fato que o tinham isolado numa espécie de sub-ordem literária. Neste trabalho procuramos mostrar, como, ao realizar significativo trabalho em sua narrativa Buzzati elabora uma reflexão acerca da consciência histórica do homem. O modo que o escritor emprega para estruturar a sua obra funciona como metáfora de uma das maiores angústias do homem: a fugacidade do tempo. A obra buzzatiana coloca o tempo como o grande gerador de indagações sobre o próprio homem, sobre a sua vida, sobre sua existência efêmera.

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “HISTÓRIA E SIMBOLOGIA”

 

Título: O eterno retorno lusitano: a mitologização da história em lendas e narrativas, de Alexandre Herculano

Autor: Jacob dos Santos Biziak

Vínculo: Letras – UNESP-Araraquara

E-mail: jacobunesp@yahoo.com.br

Resumo: Quando aqui falamos em mitologização do discurso histórico de Herculano, trata-se de um entrelaçamento entre teorias semiológicas e do imaginário, naquilo em que ambas possam se complementar, na medida em que o mito é um ato de fala e de cultura, articulado por imagens que devem ser perscrutadas e desvendadas. Sabe-se, hoje, que não se deve entender o discurso e a disciplina históricos como documentos, mas como monumentos, uma vez que são frutos de interpretação, não de qualquer transparência utópica da linguagem. Sendo assim, a História e seu discurso surgem como acontecimentos, frutos de visões e pontos de vista que, muitas vezes, se chocam entre si. Herculano, ao ficcionalizar o passado lusitano, as origens mais remotas deste povo, acreditava reproduzir FIELMENTE a História, ao se manter preso às referências contidas nos textos medievais. No entanto, o que se tem, de fato, é um constante processo de reconfiguração, reduplicação dos discurso. Desta forma, Herculano, ao querer recontar o passado de seu povo, descortinando-lhe as origens mais atávicas, acaba por mitologizar a história, cujo discurso sofre um deslocamento de sentidos, tornando-se novo signo global de criação verbal. Além disso, suas narrativas surgem como a Idade de ouro de uma nação, onde se encontraram seus grandes modelos a serem seguidos, adquirindo um caráter exemplar, revivido a cada leitura, próprio do mito. Portanto, localizando suas obras entre os modos literários Divino e Imitativo alto – segundo a teoria arquetípica de Frye –, Herculano estabelece a SUA versão da História lusitana, na qual se aloja as matrizes de sua existência. Como no Eterno Retorno mítico, a cada leitura, o discurso histórico de Herculano é revivido e reinstaura a fertilidade imagética de seu povo.

 

Título: O erótico nos contos de fadas: A simbologia da maçã em “Branca de Neve”

Autora: Anelize Pagotto Lemos

Vínculo: Letras – UNESP-Araraquara

E-mail: anelize10@yahoo.com.br

Resumo: A presente comunicação visa discutir alguns elementos eróticos no conto de fadas Branca de Neve, dos irmãos Grimm, ressaltando a simbologia da maçã, insígnia da tentação e perdição da humanidade. Nossa análise levará em conta que se trata do símbolo bíblico do pecado, do pomo da discórdia no episódio de Tróia, do fruto do jardim das Hesperíades. Não será esquecido o significado erótico da forma do fruto, assim como a associação de sua cor ao amor e paixão. O conto Branca de Neve é um texto muito rico em elementos para análise, e a maçã é apenas um deles. Por exemplo, já desde o início encontramos o estímulo aos sentidos: uma rainha pica o dedo durante a costura e então expressa o anseio por uma filha com atributos da madeira do ébano, do sangue e da neve. Do estímulo tátil chega-se ao estímulo visual das cores. Da dor (picada) chega-se ao prazer (alegria de ter uma linda filha). Essas cores, porém, continuam carregadas de sentido tátil: duro (árvore) x macio (neve); quente (sangue) x gelado (neve); sólido (árvore) x líquido (sangue). Seguindo nessa linha, a maçã será o elemento que condensará grande carga sensual e erótica, reunindo dor (veneno) e prazer (beleza, sabor) e servindo de ponte para a maturidade da protagonista (casamento com o príncipe).

 

Título: Percurso histórico do conto maravilhoso: de Boccaccio a Ítalo Calvino

Autora: Eva Aparecida de Oliveira

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP-Araraquara

E-mail: gramilvos@yahoo.fr

Resumo: O conto maravilhoso desenvolveu-se, segundo André Jolles, a partir de uma forma de narrativa curta que apareceu na Europa a partir do século XIV e ficou conhecida como novela toscana. Sua principal forma de apresentação foi herdada do “Decamerone” (1348-1353) de Giovanni Boccaccio. Em 1550, quando Giovanni Francesco Straparolla publica “Piacevoli Notte” em Veneza, ainda encontramos o mesmo modelo herdado de Boccaccio com a narrativa moldura. Mas uma parte das narrativas de Straparola já não pertence mais ao gênero da novela toscana e adentra noutro tipo de narrativa: o conto maravilhoso. Quase cem anos depois, o napolitano Giambattista Basile deixa uma obra póstuma: “Cunto de li Cunti”. Trata-se de uma coletânea de narrativas ainda presa ao modelo de narrativa moldura do Decamerone mas contando apenas com contos maravilhosos. Depois da obra de Basile, as coletâneas de narrativas maravilhosas popularizaram-se pela Europa. Charles Perrault (1628-1703) na França e os irmãos Grimm (Jacob, 1785-1863 e Wilhelm, 1786-1859) na Alemanha publicaram as obras mais famosas no gênero. Recentemente, em 1956, o escritor italiano Ítalo Calvino publicou a obra “Fiabe Italiane”, com o que pretendeu ser um “Grimm italiano”, pois resgatou a tradição popular. O objetivo da comunicação será comentar esse processo de divulgação dos contos maravilhosos a partir dos autores mencionados, com ênfase em G. Basile.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “RECUPERAÇÃO DO MITO”

 

Título: Mito e magia em ‘O feitiço da Ilha do Pavão’

Autor: Danilo Luiz Carlos Micali (Capes)

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP-Araraquara

E-mail: daniloluizcarlos@yahoo.com.br

Resumo: Alguns autores da literatura brasileira contemporânea têm dispensado uma atenção especial à formação étnica, história e cultural do nosso povo, trabalhando esses aspectos na ficção que constroem. É o caso de “O feitiço da Ilha do Pavão” (1997), romance onde João Ubaldo Ribeiro recorre ao elemento mítico para compor o enredo de uma narrativa que apresenta traços do realismo mágico (SPINDLER, 1993). Neste sentido, a história narrada nesse romance se baseia na suposta existência da Ilha do Pavão, uma ilha situada no litoral baiano, num passado distante. Já no parágrafo introdutório, o narrador ubaldiano revela um dado sobrenatural, pois, durante as noites invernais, em céu sem lua e sem estrelas, no alto da ilha surge um enorme e misterioso pavão, cuja espetacular cauda chamejante ilumina, por algum tempo, as trevas da noite. Para quem presencia essa imagem fantástica, convém sair dali enquanto pode, pois, assim que a cauda se apaga, tudo ao redor mergulha na mais completa escuridão (RIBEIRO, 1997, p. 9), – o que faz supor que a ilha, tanto quanto o pavão, aparece e desaparece para o observador, como num passe de mágica. O tempo se revela um dos temas centrais desse romance, mostrando-se plural ou multifacetado no entrecho. Assim, além dos vários tempos encontráveis nessa narrativa (tempo do discurso, tempo histórico, tempo psicológico), nota-se um tempo mítico, ligado ao cronológico, subordinados, ao que tudo indica, à aparição luminosa do pavão, quando então ocorre a supressão do tempo cronológico dentro do mundo ficcional criado.

 

Título: Presença do Mito em ‘Vidas secas’

Autora: Maria de Lourdes Dionizio Santos

Vínculo: Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP-Araraquara

E-mail: lvhs@uol.com.br

Resumo: Trata-se de um estudo sobre o espaço e o tempo visto como o lugar do mito em “Vidas secas”, de Graciliano Ramos. Nosso intento de investigar a presença do mito no discurso de Vidas secas partiu de reflexões sobre a narrativa poética, cuja abordagem segue à luz do pensamento do crítico e teórico francês, Jean-Yves Tadié, para quem a narrativa poética “é o lugar da descoberta” e o seu movimento, a marcha e a caminhada. Nessa perspectiva, a discussão aponta o espaço como o lugar privilegiado da narrativa poética. Partindo deste raciocínio, entendemos ser pertinente uma referência ao mito, observada na estrutura de Vidas secas, quando, nesta obra, o espaço ocupado pela Natureza se estende através da descrição, dominando a paisagem, cuja supremacia quase esmaga os seres que nela habitam. Esse espaço que ganha primazia na narrativa é o principal personagem, visto que, todos os acontecimentos narrados decorrem de suas circunstâncias. O homem que habita esse espaço, a natureza/seca, foge das condições castigantes e passa a circular em busca de melhoras para a sua vida, percorrendo em vão as várias estações. Seu destino lhe impõe o constante e eterno recomeço, movimento circular que nos remete ao devir, ou ao mito do eterno retorno, de Heráclito. No seu eterno circular, o ser humano, representado pelos personagens desse romance, estabelece relação com o tempo, o espaço e a Natureza, seguindo uma repetição, conforme as estações.

 

Título: A magia do universo infantil: o resgate do espaço mítico na narrativa le cléziana

Autor: Ana Luiza Silva Camarani

Vínculo: Docente do Departamento de Letras Modernas da UNESP-Araraquara

E-mail: camarani@fclar.unesp.br

Resumo: A partir da narrativa “Lullaby”, que integra o livro de contos de Jean Marie Gustave Le Clézio intitulado Mondo et autres histoires (1978), pretende-se focalizar o espaço criado pela imaginação e pela magia próprias da infância. Narrativa híbrida, mescla de prosa e poesia, o conto de Le Clézio apresenta elementos que remetem à categoria denominada por Tadié (1978) de narrativa poética: o espaço tratado de modo diferenciado é um desses elementos. Assim, ao assinalar a oposição espaço benéfico/maléfico, a narrativa poética afirma a excelência de certos lugares que envolvem a plenitude do ser e da existência, elege um espaço paradisíaco que contrasta com os cenários da narrativa realista. O espaço aparece, então, intimamente relacionado com o tempo, pois a revelação configura-se como o reencontro com o paraíso perdido, o que pressupõe um retorno às origens, mais propriamente ao mito da Idade de Ouro: a criança e a natureza tornam-se símbolos do espaço e do tempo originais, pois resgatam a antiga harmonia, o paraíso primordial, suscitado pela escritura poética que o recria.

 

Título: Mito, magia poética e engajamento: conciliações em Carlos de Oliveira

Autora: Chimena M. S. de Barros

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP-Araraquara

E-mail: chimenamsb@hotmail.com

Resumo: Entre os poetas inseridos na chamada “geração neo-realista”, Carlos de Oliveira é aquele em que o mito, a criação imaginária solidária à criação poética, aparece com maior pujança, e a esse respeito o livro Mãe Pobre, segunda publicação de poesia do autor (em épocas bastante polêmicas do Neo-Realismo), torna-se exemplar: retoma e nega mitos portugueses, cria novas crenças. É forçoso que atentemos para o período em que tais versos surgiram: havia, na literatura portuguesa, grandes querelas literárias que promoveram opiniões severas sobre a poesia neo-realista, já que, entre os divulgadores do movimento, existiam aqueles que propagavam a literatura panfletária e guiada pelo conteúdo. Oliveira foi um neo-realista, empenhou-se no movimento e só mais tarde, na década de 60, aderiu à poesia experimental – exaustivamente estudada por aqueles que não levam em conta sua produção atrelada ao movimento literário engajado. Mas, como apontaremos no presente estudo, desde a década de 1940, a preocupação com a linguagem da poesia – tomada como fruto da magia alquímica que transforma a linguagem do “povo” – e com a conciliação entre trabalho poético e engajamento era grande no autor, que se valeu de mitos, recursos sonoros, formais e símbolos a fim de tornar-se um “mago” dos versos.

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “A DIMENSÃO SOCIAL DO ENTRETENIMENTO”

 

Título: O papel da diversão na estética teatral de Bertolt Brecht

Autor: Adriano Ropero

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP- Araraquara

E-mail: adrianoropero@gmail.com

Resumo: Esse trabalho é fruto da tradução de um texto de Bertolt Brecht (1898-1956) chamado “Kleines Organon für das Theater”. Esse texto é dedicado a discutir e esclarecer a estética teatral proposta por Brecht, que nunca se deu por satisfeito com os conceitos que desenvolvera durante toda sua carreira teatral. Uma prova concreta disso é que o texto citado é escrito em 1949, depois que o autor alemão já escrevera todas suas obras de ficção. Logo de início Brecht se propõe a pensar seus conceitos dentro de uma estética teatral, pois fora dela ficam sem sentido. A base dessa estética descrita por Brecht em seu texto é a diversão. Dizer “é” a diversão parece-me algo perigoso, pois foi exatamente a partir desse pequeno problema que esse trabalho partiu. A partir da leitura do texto original em alemão percebe-se que o escritor alemão cria um percurso para as palavras, diversão, divertimento, prazer, aprazível, entretenimento, e esse percurso se torna essencial para o entendimento da estética por ele pensada. Nesse trabalho será estudado esse percurso que serve de ponto de partida para o entendimento da estética teatral de Brecht e por conseqüência, joga uma nova luz para o entendimento de suas peças.

 

Título: Trabalho e exploração social em ‘Woyzeck’, de Georg Büchner.

Autor: Tércio Redondo; Doutor em literatura alemã pela USP

Vínculo: Professor de literatura do Instituto Mairiporã de Ensino Superior

E-mail: tercioredondo@terra.com.br

Resumo: O trabalho a ser apresentado trata de uma análise do drama de Büchner a partir de sua configuração social. A apreciação de seus principais elementos estruturantes remete à percepção do trabalho enquanto eixo central da obra, o que implica o seu caráter eminentemente épico. Cumpre verificar as possibilidades de sua recepção atual, tendo-se como paradigma o desenvolvimento dos modos de produção capitalista ao longo do século XX e o retorno a uma precarização do trabalho assalariado nos processos de globalização em curso. Dois exemplos tirados da lírica contemporânea ajudam a refletir sobre a reatualização de Woyzeck, na chave da crise de exclusão social que ameaça populações inteiras na periferia e mesmo no centro do sistema.

 

Título: “Deutschland, Deutschland über alles“, de Kurt Tucholsky: Literatura e/ou cultura de massa?

Autor: Anderson A. Roszik

Vínculo: Pós-Graduação em Letras – UNESP-Assis

E-mail: andersonroszik@yahoo.com.br

Resumo: O berlinense Kurt Tucholsky (1890-1935) destaca-se pela vasta produção literária em periódicos durante a República de Weimar (1918-1933). Desse intenso processo de criação resultam, porém, poucos livros, dentre os quais “Deutschland, Deutschland über alles”, do conturbado ano de 1929, é um exemplo. Nessa obra o autor lança mão do processo de fotomontagem ao reunir textos já veiculados nos periódicos. O livro é foco de nossa discussão, que busca fazer uma leitura com fundamentação teórica nas correntes de pensamento diacrônico sobre a cultura de massa, numa referência teórica cabível desde Walter Benjamin e sua concepção de aura até os dias atuais, com ênfase nos conceitos propostos por Andreas Huyssen, para quem o papel das vanguardas – em especial, do Dadaísmo – na construção da chamada Arte assume uma postura de ridicularização e desmantelamento da alta cultura burguesa e sua ideologia, fato que pode ser observado nesta obra de Tucholsky. Neste sentido, o trabalho visa questionar e rediscutir o conceito de obra de arte e sua validade estética como objeto de fruição e funções sociais, numa tentativa de prevalecer o trabalho artístico da linguagem e sua repercussão entre o público.

 

Título: Os dogmas de Trier: uma perspectiva brechtiana

Autora: Angelita Maria Bogado

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Letras – UNESP-Assis

Oriantadora: Profª Drª Maria Lídia L. Maretti

E-mail: angelitabogado@yahoo.com.br

Resumo: Este estudo pretende analisar alguns mecanismos e procedimentos do teatro épico de Bertolt Brecht (1898-1956), empregados pelo cineasta dinamarquês Lars Von Trier (1956-). Para isso a pesquisa se concentrará em dois momentos distintos da produção de Trier: o Movimento Dogma 95 e a obra Dogville. Pode parecer estranho querer encontrar Brecht dentro de uma estética realista que excluí o uso de canções e artefatos tecnológicos, da qual o Dogma 95 é discípulo. Mas ao ler a carta manifesto que inaugura o movimento Dogma, já é possível encontrar pontos de contato, entre as teorias do teatrólogo alemão e o cinema desconcertante do diretor Lars Von Trier. Já em Dogville não há estranhamento, pelo menos, não na tentativa de aproximar os dois autores (Brecht e Trier). As referências são explicitas: um filme no palco, o cenário desnudo, a divisão em capítulos com dizeres antecipatórios, e principalmente, uma reflexão crítica do indivíduo alienado e soterrado pelas estruturas sociais. Primeiramente o trabalho irá apontar, a partir de três recortes do “manifesto dogma”, as bases do movimento cinematográfico. A tônica da pesquisa será pautada nos conceitos brechtianos de mobilidade e imobilidade do indivíduo e o efeito de distanciamento. E por último, este estudo pretende demonstrar como Trier recria os elementos de Brecht para desconstruir o próprio Brecht.

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “REVERBERAÇÕES MÍTICAS”

 

Título: A perspectiva desmitificadora: da lenda ao mito do Rei Arthur

Autor: Edileide Brito

Vínculo: Professora de literaturas britânica e norte-americana na Faculdade Uniesp-Birigui; Programa de Pós-Graduação em Letras – UNESP-São José do Rio Preto

E-mail: lady_britain@yahoo.co.uk

Resumo: Buscar uma identidade fiel para o Rei Arthur, é atestar para algo complicado, porém fascinante, que nos remete a adentrar em um universo complexo. Contudo, provar tal façanha, seria provavelmente impossível, mas deixemos que a nossa imaginação transforme este rei, ou líder, naquilo que desejamos ser, um homem ideal próximo da perfeição. O fascínio por este rei medieval ou líder guerreiro, tem despertado a curiosidade de pesquisadores, historiadores, literários e leitores, durante todos estes séculos que se passaram, fazendo com que a imagem deste suposto Rei se eternizasse, sendo assim, cumprindo a profecia que Sir Thomas Malory escreveu, ao afirmar em sua obra “Le Morte D’Arthur”, “Rei Arthur foi rei e sempre será rei”. É irrelevante implicar a existência de um Arthur histórico, mas, provavelmente ele possa ter vivido entre os séculos V e VI d.C., destacando-se como um grande líder guerreiro celta, no qual defendia os bretões, contra as invasões dos saxões. Quanto aos romances de cavalaria, descenderam diretamente das canções de gesta, originárias dos povos germânicos, que rapidamente se propagaram por toda a Europa. Em se tratando das novelas de cavalaria, constituem-se de longas narrativas em prosa, cuja temática era reverenciar os feitos heróicos e ostentar as virtudes de um personagem principal, na maioria das vezes, um guerreiro que se destacava dos demais, através da coragem, da habilidade em manusear as armas, da honra e da justiça. Aparentemente, tais romances assemelham-se aos antigos poemas épicos da Antiguidade Clássica, porém, diferem por um caráter individualista, contrapondo-se ao coletivo das epopéias gregas e romanas. Enquanto os clássicos identificavam o herói como um ícone da comunidade em que estava inserido, representando os ideais e crenças de um povo, os autores nas canções de gesta atribuíam aos heróis alguma fraqueza, discordâncias que abrangessem determinadas circunstâncias sociais, tais características antecederam o futuro arquétipo do herói romântico, um personagem que busca valores autênticos em uma sociedade degradada. Assim, a despeito dessas discrepâncias, o mote das narrativas compreende sempre as batalhas, aventuras fantásticas, dragões, e outras criaturas sobrenaturais.

 

Título: Edda Poética e Prosaica: Reflexões sobre as mais importantes fontes literárias da mitologia ‘viking

Autor: Prof. Dr. Johnni Langer

Vínculo: PD-USP/FAPESP

E-mail: johnnilanger@yahoo.com.br

Resumo: A comunicação pretende estabelecer algumas reflexões sobre as duas principais fontes literárias sobre mitologia ‘viking’, a Edda Poética (conjunto de poemas e narrativas prosométricas anônimas, século XIII) e a Edda em Prosa (sistematização em prosa da mitologia germano-escandinava, supostamente escrita pelo intelectual islandês Snorri Sturluson em 1260). Primeiramente abordaremos algumas das discussões tradicionais envolvendo as duas fontes, principalmente as questões das datações, interferências cristãs e clássicas durante o período em que elas foram transpostas da oralidade para a escrita islandesa antiga (século XIII) e seu potencial para estudo das concepções mitológicas e religiosas originais da Escandinávia na Era Viking (793-1066 d.C.). Em seguida, trataremos de algumas tendências mais recentes da historiografia e dos estudos mitológicos, considerando as Eddas enquanto um conjunto de diversas versões manuscritas (referencial heurístico) e algumas de nossas próprias concepções sobre os mitos durante a passagem do paganismo para o cristianismo na Escandinávia (séculos XI e XII): a relação das Eddas com os sistemas de reinterpretações orais-imagéticos, isto é, um conjunto de imagens/narrativas míticas que foram preservadas iconografica e literariamente, baseadas em variações regionais na mitologia germânica existente na Europa Setentrional [sobre o tema ver Langer, J. Brathair 6 (1), 2006].

 

Título: Kairós, Aion, Cronos

Autor: Haroldo Luiz Belloni Capitanini

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP-Araraquara

E-mail: haroldocapitanini@yahoo.com.br

Resumo: É comum ver referências a Kairós como sendo o senso do momento oportuno, da decisão. Em relação às outras duas formas do tempo, temos Aion sendo correspondido à eternidade, à intemporal permanência, e Cronos, ao movente e mutante tempo de todos os dias, à temporalidade passível da medida. No entanto, estas formas não são díspares. Na contraposição, na oposição entre o círculo e a linha (Aion, Cronos), Kairós é a própria articulação de uma só perspectiva àquelas duas dimensões: o tempo-Kairós é a interação, a intersecção do intemporal e do temporal. Enseja a ambos um Ritmo que os compreende. Mais que momento oportuno, é o preciso instante, a ocasião propícia de um encontro fértil, aquele que instaura uma nova duração, um novo ser. A continuar na metáfora geométrica, Kairós é o centro do círculo, ponto de onde partem múltiplas linhas. Por isso é considerado (por Numenio de Apamea, segundo Rúben Soto Rivera) o Primeiro Deus —, assim como Aion, o Segundo e Cronos, o Terceiro Deus. O tecido do tempo é feito dessas intersecções, de instantes em que a idéia encontra o verbo, o desejo encontra o ato, enfim, de distintas durações que se enlaçam e se tramam a outros fios temporais, como o acaso, a criação, a revelação, a necessidade. Kairós é a possibilidade do tecido, do texto-mundo ser escrito.

 

Título: Mecanismos da maldade em “O Senhor dos Anéis”

Autor: André Luiz Rodriguez Modesto Pereira

Vínculo: Letras – UNESP-Araraquara

E-mail: insobrio@bol.com.br

Resumo: O romance “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, narra um episódio da longa guerra entre o Bem e o Mal que ocorre na Terra-Média. Entretanto, longe de focar-se somente nas grandes batalhas épicas, a narrativa demonstra que a luta contra o mal pode ocorrer também no interior das personagens. O presente trabalho pretende analisar os mecanismos através dos quais o mal é expresso dentro do romance e o modo como eles afetam as principais personagens. Em “O Senhor dos Anéis”, a fronteira entre o bem e o mal é pouco visível e esses dois elementos coexistem no interior das personagens. Outro elemento imprescindível para esta análise é o livre-arbítrio, que exclui a idéia de que o romance expressa uma simples visão maniqueísta de mundo. Assim as personagens tornam-se responsáveis por suas escolhas e ações, afastando do vilão Sauron a responsabilidade única pelo mal existente na Terra-Média. Os principais mecanismos a serem analisados são a corrupção, a dominação e a destruição, pois eles são os principais elementos que constroem os dilemas e as situações difíceis que as personagens tem que enfrentar.

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “LINGUAGEM E ENSINO”

 

Título: Planejamento de aula: uma reflexão sobre o papel do livro didático e as fases da aula

Autor: Cibele Cecilio de Faria Rozenfeld

Vínculo: Mestranda na Universidade Federal de São Carlos

E-mail: cibeleroz@yahoo.com.br

Resumo: Neste trabalho são abordadas questões pragmáticas do processo de planejamento de aulas de alemão como Língua Estrangeira (LE), com foco em reflexões sobre o uso do livro didático e sobre as distintas fases que compõem esse espaço formal de ensino. Tais reflexões, apoiadas em vertentes teóricas contemporâneas do ensino/aprendizagem de LE, entre elas a abordagem comunicativa e uma perspectiva pedagógica de base humanista, evidenciam um quadro complexo e desafiador para a atuação profissional. O professor contemporâneo de alemão como LE trabalha com/sob uma perspectiva em que a compreensão de ensinar não se restringe a transmissão de conhecimento e a compreensão de linguagem não se restringe a sua dimensão sistêmica (conjunto de estruturas lingüísticas). Linguagem é também cultura, sociedade, contexto e ideologia Ensinar LE envolve, portanto, além de questões lingüísticas, diversos outros aspectos, por exemplo, elementos culturais e sociais da LE, variáveis afetivas do aluno e do professor, a cultura de aprender e a de ensinar, interesses dos alunos, crenças, etc. Frente a esse quadro complexo, é de grande relevância, que o professor tenha uma visão crítica do livro didático e das fases da aula, para que possa definir com clareza seus objetivos, e influir positivamente no processo de aprendizagem, promovendo a motivação e a criatividade por meio de situações significativas para interação em sala de aula.

 

Título: Como funciona o método didático Tangram aktuell?

Autora: Ana Maria de Senzi Moraes Pinto

Vínculo: Professora do Depto. de Letras Modernas, Área de Alemão – UNESP-Araraquara

E-mail: anasenzi@terra.com.br

Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo a análise de material didático e reflexões a respeito dessa análise, a partir da nossa perspectiva de professor de alemão no Brasil. Partindo-se da questão “por que as editoras lançam sempre novos manuais didáticos para o aprendizado de uma língua estrangeira?“ – no nosso caso, a língua Alemã – é que vamos desenvolver nosso trabalho, fazendo um estudo detalhado do novo método didático TANGRAM aktuellDeutsch als Fremdsprache (Kursbuch und Arbeitsbuch 1) – acompanhado do “Lehrerbuch” – livro do professor-, dos autores Rosa-Maria Dallapiazza, Eduard von Jan, Til Schönherr, editado pela editora Max Hueber, em 2005. TANGRAM é, no sentido lúdico, uma espécie de quebra-cabeças de origem chinesa, composto por um quadrado dividido em sete peças (cinco triângulos, um quadrado e um rombóide) remontáveis em figuras diversas. É essa possibilidade de combinação (montar, desmontar e montar de novo) que conduz o método didático TANGRAM aktuell. A partir desse trabalho, pretendemos mostrar aos estudantes de Letras que têm a intenção de lecionar alemão, a relação professor-método, observando a expectativa do próprio professor sobre como deve ser um método didático. O trabalho pretende dar subsídios para o ensino-aprendizado da língua alemã a falantes do português, como também dar subsídios para professores de alemão que estejam começando a trabalhar, ou mesmo já trabalhando, com o método didático TANGRAM aktuell.

 

Título: Crenças e mitos na Formação de Professores de Língua Alemã

Autoras:

Gisele Maria Simões

Vínculo: Professora do Depto de Didática da UNESP-Araraquara

E-mail: gisele@fclar.unesp.br

Prof. Dra. Maria Cristina Reckziegel Guedes Evangelista

Vínculo: Professora substituta do Depto. de Letras Modernas, Área de Alemão da UNESP-Araraquara

E-mail: macrisguedes@hotmail.com

Resumo: Mini-cursos foram realizados na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp/Araraquara, no curso de Letras, no âmbito da disciplina “Prática de Ensino de Língua Estrangeira II (Inglês e Alemão)”. Nesta disciplina, a teoria de Vygotsky (1978), Zona Proximal do Desenvolvimento (ZPD), e a Teoria da Atividade desenvolvida por Leontev (1978), um colega e seguidor das idéias de Vygotsky, foram conscientemente utilizadas na proposta de formação dos professores. Este trabalho tem como objetivo relatar a implantação de mini-cursos em que professores em formação puderam colocar em prática suas crenças e mitos a respeito do que é ensinar e aprender uma língua estrangeira. Os professores participantes dos mini-cursos foram alunos (professores em formação) do quarto ano do curso de Letras da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP-Araraquara. Observou-se que a implantação dos mini-cursos, feita pelos professores em formação, mesmo que esses não tivessem um conhecimento teórico subjacente sobre as abordagens metodológicas, foi bem sucedida.

 

Título: Uma proposta de trabalho com texto em sala de aula

Autora: Greice Bauer

Vínculo: Aliança Idiomas – São Carlos

E-mail: bauergreice@yahoo.com.br

Resumo: A aprendizagem de uma língua estrangeira pode, muitas vezes, se tornar difícil para o aluno, contudo, o professor pode facilitar o aprendizado utilizando diferentes materiais e diferentes dinâmicas dentro da sala de aula. Existe no campo de pesquisa de ensino de línguas várias vertentes quanto à melhor abordagem de ensino. No método de gramática e tradução, a língua é concebida como uma construção formada por elementos organizados sistematicamente através de regras lógicas. Os métodos audiolinguais e audiovisuais privilegiam a língua falada e a situatividade em sala de aula. A partir dos anos 80, priorizou-se o método comunicativo, o qual é voltado para a comunicação e a pragmática e privilegia o uso da língua estrangeira, concebendo-a como um meio de comunicação em situações cotidianas, principalmente no trabalho e no lazer. Surge posteriormente, a abordagem intercultural que visa propiciar ao aluno a oportunidade de interpretar outras formas de comportamento, concepções e valores de uma cultura, tendo como pano de fundo sua própria cultura. A combinação das diferentes tendências aliadas à criatividade do professor e seu entendimento sobre os alunos enriquece a dinâmica de aprendizado, permitindo-o realizar aulas mais lúdicas e elevando os níveis de interação aluno-professor. O trabalho com textos no ensino de alemão como Língua Estrangeira requer reflexões quanto aos objetivos específicos que se pretende alcançar como, por exemplo, o desenvolvimento de estratégias de leitura, o trabalho com ênfase no vocabulário ou na gramática. Após análise criteriosa do texto e dos objetivos a serem atingidos, o professor deverá elaborar os procedimentos adequados ao trabalho com o texto, de forma a torná-lo acessível e relevante ao aluno no processo de aprendizagem. A proposta deste trabalho é de apresentar um modelo de didatização de um texto conhecido pelos alunos, tomando por exemplo o texto “Frankenstein”. Teve-se como objetivo, deixar o texto mais compreensível para o aluno, com apresentação de vocabulário acessível e possibilitar a abordagem de temas, como, por exemplo, a nomenclatura das partes do corpo. A partir de algumas combinações em sala de aula, o professor pode tornar as aulas mais lúdicas e ao mesmo tempo ajudar o aluno a aprender a língua estrangeira de uma forma mais dinâmica, com mais motivação.

 

Título: Projeto de rádio alemão para estrangeiros – Rádio DaF

Autora: Sandy Pannwitz

Vínculo: Aliança Idiomas - São Carlos

Resumo: A mídia desempenha atualmente um importante papel para o ensino de línguas estrangeiras. Para ilustrar em aulas fenômenos da fonética, do vocabulário ou da gramática e para auxiliar os alunos a fixarem estes fenômenos e a desenvolverem novas estratégias no processo de aprendizagem da língua-alvo, usam-se meios como o rádio, o cinema e a televisão, a escrita impressa em livros, revistas, boletins, jornais, o computador (Internet), o DVD, os satélites de comunicação. O projeto “Rádio Alemão Para Estrangeiros – Radio DaF” é uma interessante opção que possibilita grande contribuição para a aprendizagem de uma língua estrangeira por meio da utilização de um recurso da mídia: o rádio - alemão como língua do encontro e rádio como lugar do encontro! O projeto Radio-DaF é um programa que já existe na Alemanha e na Áustria e é transmitido por emissoras de rádio livres, as quais oferecem programação especial voltada para o ensino e aprendizagem da língua alemã. Sua programação é composta por entrevistas feitas com estrangeiros que relatam seus depoimentos de vida e de experiências com o aprendizado de língua alemã e com a cultura alvo, ou seja, na Alemanha ou na Áustria. Tais relatos são então transmitidos em rede de rádio. Infelizmente não existem no Brasil emissoras de rádio livres, é possível, porém, o desenvolvimento de um projeto com este propósito. Eu soube desse projeto por uma amiga brasileira que assistiu a um Congresso na Áustria, o XIII. Internationale Tagung der Deutschlehrerinnen und Deutschlehrer (IDT), que aconteceu de 1 a 6 de agosto de 2005, na cidade de Graz. Nesse Congresso foram apresentados dois relatórios de uma programação de rádio ‘Alemão para Estrangeiros’. Atuando no momento como estagiária no ensino de alemão no Brasil, achei que há uma boa possibilidade de se tentar realizar aqui um projeto semelhante. Na Alemanha, existem várias emissoras livres na cidade de Leipzig, onde estudo ‘Alemão como Língua Estrangeira. Pretendo desenvolver um programa de rádio com alguns alunos para transmiti-lo depois em emissoras de rádio alemãs. O objetivo deste trabalho é o de apresentar o projeto da forma que ele se realiza na Alemanha e na Áustria e propor a profissionais do ensino de alemão, a sugestão de desenvolvimento futuro do projeto no Brasil.

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “GOETHE, THOMAS MANN E KAFKA

 

Título: Especulações sobre mito e metamorfose em Franz Kafka

Autor: Prof. Dr. Antônio Donizeti PIRES

Vínculo: Professor do Departamento de Literatura – UNESP/Araraquara

E-mail: adpires@fclar.unesp.br

Resumo: Retomando questões discutidas em minha dissertação de mestrado, Uma barata cheia de espinhos (1996), pretendo refletir, neste trabalho, sobre dois aspectos que me parecem fundamentais na literatura de Franz Kafka (1883-1924): o mito e a metamorfose. Este último tema, além da famosa novela “A metamorfose” (1915), será rastreado em outras narrativas breves do grande escritor tcheco de língua alemã. No que tange ao mito, parto da análise de textos curtos como “Poseidon” (em “Narrativas do espólio”, 2002), principalmente, para considerar a relação subversiva e desconstrutiva que o autor estabelece com o legado da mitologia clássica greco-latina. Mas, entre si imbricados de diversos modos, mito e metamorfose em Kafka não dizem respeito apenas à literatura e à problemática relação do autor (crítica, irônica e paródica) com a tradição (do mito, do fantástico, do maravilhoso), mas apontam para problemas cruciais do século XX, como a reificação do homem, a incomunicabilidade, a massificação, a militarização e a barbárie, a burocratização e o controle administrativo do mundo, de alto a baixo.

 

Título: Afinal, Goethe era um sujeito globalizado?

Autor: Fábio Luís Chiqueto Barbosa

Vínculo: Professor da FCL – UNESP-Assis

E-mail: fabiochiqueto@assis.unesp.br

Resumo: A globalização, conceito freqüente em textos atuais da História, da Sociologia, da Antropologia, das Ciências Sociais e Políticas, por exemplo, tem uma dimensão concreta inegável no cotidiano das pessoas de todo o mundo. Desta forma, como fator indelével e integrante das sociedades deste início de século, ela encontra-se igualmente presente nas suas formas de expressão, inclusive naquelas ligadas à arte em geral e à literatura, principalmente em alguns de seus principais eixos de interação com os grupos dos quais ela deriva e faz parte: produção, percepção e recepção. Entretanto, algumas das modificações que a globalização parece impingir à literatura não são aparentemente tão novas. Há que se perguntar, por exemplo, quais são as relações de semelhanças e diferenças ou de aproximações e de distanciamentos possivelmente existentes entre uma literatura produzida em uma sociedade que vive sob a égide da globalização e, por exemplo, o conceito de cosmopolitismo, presente em manifestações literárias a partir de fins do século XVIII. Partindo desta questão, o objetivo desta pequena contribuição é traçar um esboço comparativo destas duas dimensões, apoiando-se, para tanto, em autores tais como Goethe e teóricos modernos.

 

Título: O triunfo da morte sobre Thomas Buddenbrook

Autor: Marco Fontanella

Vínculo: Doutorando em Teoria Literária – IEL/UNICAMP

E-mail: marcofontanella@hotmail.com

Resumo: A comunicação tem como foco um trecho já bastante comentado ao final do romance “Os Buddenbrook. Decadência de uma família”, de Thomas Mann. Trata-se dos últimos dias da vida de seu personagem Thomas Buddenbrook, quando, pouco antes de morrer, ele se deslumbra com os horizontes que uma breve leitura de Schopenhauer lhe permite entrever. O objetivo da presente comunicação é repensar esta cena e algumas de suas conseqüências. A partir sobretudo da leitura detida deste trecho e considerando algumas peculiaridades do valor de Schopenhauer para o jovem Thomas Mann, espera-se alcançar uma nova clareza a respeito desta encenação do triunfo da morte.

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “FRONTEIRAS ESTÉTICAS”

 

Título: Magia órfica e simbolismo em "A Flauta Mágica" de W.A. Mozart e E. Schikaneder

Autor: Tristan Torriani

Vínculo: Prof. Colaborador – IA/UNICAMP

E-mail: ttorr@hotmail.com

Resumo: Mito e magia se manifestam em "A Flauta Mágica" sobretudo através do efeito que a música teria de nos estimular emocional e moralmente. Ao receber a flauta dourada da Rainha da Noite pelas mãos de uma das três Damas, Tamino aprende que uma tal flauta vale mais do que ouro e poder. Além de incorporar elementos dos contos de fada de A.J. Liebeskind (Lulu) e Wieland, o romance “Sethos” do Abbé Terrason, e de outras fontes, o veio central da obra repousa sobre o mito órfico que exalta o poder transformador da música. Entre os comentadores contemporâneos, David J. Buch argumenta que a ênfase excessiva na interpretação do Singspiel mozarteano como um ritual iniciático ou mesmo como mensagem política impossibilita a compreensão do aspecto mágico (sério e cômico) dos instrumentos musicais, devendo ser considerada a sua origem na tradição do Maerchen assim com sua derivação do “Dschinnistan” de Wieland. Ele também recorre à teoria de Bettelheim sobre o imaginário infantil e o seu tipo de pensamento mágico (adultos como gigantes que magicamente afetam a satisfação das necessidades, por exemplo). Seguindo uma linha jungiana, Jocelyn Godwin chega a identificar a flauta como símbolo do coração que é inspirado pelo sopro divino, permitindo que a música se torne o caminho real para o inconsciente.

 

Título: O romance 'Frey Apollonio', de Carl Friedrich Philipp von Martius, em perspectiva histórico-literária

Autor: Luiz Barros Montez

Vínculo: Prof. Adjunto da Faculdade de Letras da UFRJ

E-mail: lmontez@uol.com.br

Resumo: A apresentação do eminente germanista Erwin Theodor Rosenthal para a edição brasileira de “Frey Apollonio. Um romance do Brasil”. (São Paulo: Brasiliense, 1992) traz a afirmação de ser este um 'romance brasileiro'. A comunicação traz à discussão a hipótese de 'brasilidade' da obra, descrevendo-a em seu contexto mais amplo, histórico e literário. Para tanto, a comunicação coteja o texto ficcional, em seus elementos temáticos e formais mais básicos, tanto com a questão de fundo da presença histórica de Martius no Brasil quanto com algumas questões centrais do Romantismo literário na Alemanha e no Brasil.

 

Título: O mito do coelho nos contos “Teleco, o coelhinho” de Murilo Rubião e “Carta a una señorita en París” de Julio Cortázar

Autor: Valdemir Boranelli

Vínculo: Programa de Pós-Graduação – PUC-São Paulo

E-mail: valdemir.boranelli@uol.com.br

Resumo: O século XX se tornou um amplo espaço cultural, sobretudo literário. Nota-se uma revolução no meio da expressão escrita. Em meio a essa revolução está presente o predomínio do fantástico como representação do real. Um dos processos dessa representação está contida na reelaboração do símbolo e na reescrita do mito. Sendo o mito um elemento da taxonomia da literatura comparada, este se fundamenta no estudo deste trabalho, no qual se fará uma leitura dos contos “Teleco, o coelhinho” de Murilo Rubião (precursor do fantástico no Brasil) e “Carta a una señorita en París” de Julio Cortázar (considerado por alguns como o autor que inicia o boom da literatura hispano-americana), onde se abordará o mito do coelho.

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “O MITO FÁUSTICO”

 

Título: Fausto, quando mito e magia se encontram

Autora: Magali Moura

Vínculo: Profa. Adjunta do Setor de Alemão da UERJ

E-mail: magali.moura@uol.com.br

Resumo: A interação entre mito e magia será abordada no presente trabalho como a forma pela qual Goethe fez uma correlação entre dois mundos distintos e tomará como objeto de estudo a primeira parte do Fausto. Nesta obra, o mito, representante do mundo da Antiguidade, relaciona-se estreitamente com o mundo mágico do ideário Renascentista, quando uma nova maneira de se relacionar com o mundo era apresentada ao homem. Dessa maneira, Goethe unia dois mundos: o da Grécia Antiga com seus mitos e o da Renascença com sua magia, diretamente ligada às artes da alquimia e às idéias da tradição hermética. Neste trabalho, pretende-se abordar alguns aspectos do que se poderia chamar de uma interatividade entre mito e alquimia e sua importância na criação de um mundo moderno, no qual se procurava instituir um novo lugar tanto para a religião, como para a ciência. Sabidamente, o interesse demonstrado pelo jovem Goethe pelas artes da magia e da transmutação deixou traços em muitas de suas obras. Assim como a presença do mundo antigo era fonte inesgotável, da qual eram resgatados motivos que seriam reapresentados sob uma nova luz, a do homem em luta entre a razão e a sensibilidade.    Essa interatividade proporciona a Goethe a reestruturação de motivos já conhecidos que ora ligados a um tempo, ora a outro, lhe possibilita estruturar uma dinâmica, peculiar ao novo papel que a arte deveria desempenhar na formação do indivíduo ainda em processo de esclarecimento.

 

Título: O encantamento em “Noite na taverna”: o sono e o mal na história de Claudius Hermann

Autor: Paulo Sérgio Marques

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP-Araraquara

E-mail: santiagovilmar@hotmail.com

Resumo: O enredo de “A noite na taverna” encadeia cinco histórias diferentes, cada uma contada e supostamente vivida por um dos amigos que se reúnem na taverna para beber e entreter-se com as mulheres e as narrativas. Cada uma delas é narrada do ponto de vista autodiegético, com o próprio contador posicionado na condição de protagonista da fábula. A quarta história é a de Claudius Hermann, que se descreve como um homem que, na juventude, fora muito dissoluto e entregue à vida pelos prazeres. Utilizando um filtro sonífero, Claudius seduz a esposa de um duque, o que desencadeia a maldição do herói. A história de Claudius Hermann parece condensar um grande tema do livro de Álvares de Azevedo, a da ação encantatória da poesia e da imaginação, colocando em debate o efeito sedutor e inebriante de uma mágica poética, por meio de um embotamento dos sentidos. Opondo, em “Claudius Hermann”, dois arquétipos míticos similares do sono, Hipnos e Tanatos, o autor paulista articula um dos grandes conflitos do Romantismo do mal-do-século: de um lado, a letargia do espírito pelo excesso da imaginação e do hedonismo juvenil; de outro, o sono absoluto da morte como único recurso para solucionar o sofrimento de uma vida cumprida em semivivência, em função de um adormecimento das habilidades para o real. Na confluência de um e outro, a poesia surge como o Ariel e o Caliban românticos: ao mesmo tempo é o mal maior, por seu poder de enfeitiçamento e ilusão, mas é também o único bem possível, pois apenas ela pode conduzir o espírito ao lugar do não-ser da linguagem, onde todas as fantasias podem se realizar, o que, mais uma vez, denuncia o tom irônico do romantismo de Álvares de Azevedo.

 

Título: O mito fáustico e suas transformações românticas: um estudo comparado das obras “El Diablo Mundo” e “Macário”

Autora: Maira Angélica Pandolfi

Vínculo: Professora Assistente-Doutor em Língua Espanhola – UNESP-Rosana

E-mail: maira@rosana.unesp.br ou mairapan@gmail.com

Resumo: O mito fáustico é um dos temas mais recorrentes no Romantismo quando se deseja evidenciar o conflito com o duplo. Esse conflito revela, quase sempre, algum tipo de sacrifício do herói que cede às exigências do demônio. Em “El Diablo Mundo”, poema em que surge o herói fáustico de Espronceda, o sacrifício inicia-se com um ritual de morte/ressurreição ao apresentar um velho poeta que é embalado pelo sono da morte e acorda transformado no jovem Adán. Já em “Macário”, de Álvares de Azevedo, Satã leva o jovem estudante a um cemitério e o faz deitar sobre um túmulo e sonhar. Assim, pretende-se demonstrar, por meio do estudo comparado das obras assinaladas e a tradição do mito fáustico, a forma com que o ritual morte/ressurreição surge como um modelo moderno utilizado, muitas vezes, para retratar o herói fáustico no Romantismo.

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “LINGUAGEM E ESTÉTICA”

 

Título: Mito: desmistificar a desmistificação

Autora: Mirella Guidotti

Vínculo: Ciências Sociais - UNESP-Araraquara

E-mail: lelaguidotti@yahoo.com.br

Resumo: Com a presente comunicação intentamos percorrer o caminho pelo qual o conceito de mythos foi progressivamente perdendo seu significado original, de ‘verdade revelada’, e, desde os tempos da chamada moderna filosofia grega, acabou por ser visto, contraposto ao conceito de logos, como apenas a imagem do saber autêntico. Neste sentido, a retomada do pensamento mito-poético no primeiro Romantismo alemão será fundamental na presente comunicação: este ‘reencontro’ com o mito, entende-se aqui, não se dá pela busca de um caminho unívoco, em direção a um pensamento radicalmente mitológico. Ao contrário, o pensamento dos românticos intenta conciliar o pensar o mythos com o pensar o logos, a partir do reconhecimento que o mito, apesar de radicalmente desmistificado e recalcado, não fora vencido, pois ele subsiste à época moderna como nos revelam o mito do progresso, o culto à tecnologia, e às mercadorias. Com isso, rompe-se com a idéia de que o curso histórico pudesse ser pensado como Aufklãrung, como emancipação da razão: a própria idéia de desmistificação foi reconhecida como um mito. A estética de Schelling, na qual nos deteremos, revela uma singular poética filosófica do mito. A partir da tríade esquematismo/alegoria/símbolo, o referido autor concebe que a mitologia é a matéria de toda arte e, dado que a arte deva representar o absoluto, só o pode fazer de maneira simbólica. Destarte, a linguagem originária, mito-poética, diz o que não poderia ser dito de outra maneira. Ao contrário da verdade científica, que pretende apreender a verdade e representá-la num conceito fechado, a própria idéia de verdade para os românticos fica em suspenso: e por esta razão mesma apenas acessível de modo simbólico.

 

Título: De Ser e Tempo à Origem da obra de arte: Da destruição da Metafísica à destruição da Estética

Autor: Alexandre Oliveira de Souza

Vínculo: Ciências Sociais – UNESP-Araraquara

E –mail: alexolisouza@yahoo.com.br

Resumo:A comunicação que ora pretendemos apresentar, se deterá na análise de um dos grandes filósofos alemão: Martin Heidegger. Este, e não há como negligenciar a influência de seu pensamento, foi um dos filósofos do século XX que contribuiu, fundamentalmente, para as diretrizes da Filosofia contemporânea, principalmente nos estudos em torno da linguagem. Mas nesta comunicação, iremos nos limitar a fazer um único percurso de sua obra, o caminho que se inicia em “Ser e Tempo” (1927) até o seu ensaio “A Origem da Obra de Arte” (1936), através desta linha, que nada tem de linear, poderemos vislumbrar um dos efeitos que sua obra exerceu no pensamento contemporâneo, mas, principalmente, o que mais radicalmente incidiu sobre a Filosofia e a reflexão Estética. Ou seja, a destruição da Metafísica, já prenunciada em Ser e Tempo, e, por conseqüência inevitável, a destruição da Estética. Heidegger, efetua a destruição da Metafísica denunciando os pressupostos em que ela se apóia. Pois, como iremos apresentar, a Metafísica é destruída no momento em que Heidegger apresenta o caráter desvirtuado da ontologia tradicional que, ao buscar pensar o sentido do ser, errou de caminho, culminando em sua entificação. Já em “A Origem da Obra de Arte”, Heidegger focaliza a natureza da arte numa perspectiva que se desprende da Estética e que pode ser considerada como a destruição filosófica dessa disciplina. Dessa forma, a destruição da Estética é conseqüência da primeira destruição que atingiu a ontologia tradicional, a qual se apresenta como parte essencial e primeira da Metafísica: trata-se agora de liberar a obra de arte da trama de conceitos que a ela impunha uma dada perspectiva – a da Metafísica.

 

Título: O Poeta enquanto vidente: Novalis e a romantização da Linguagem

Autora: Natália Corrêa Porto Sanches Fadel

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP-Araraquara

E-mail: natifadel@hotmail.com

Resumo: Este trabalho insere-se em uma vertente de pesquisa sobre o Primeiro Romantismo Alemão (‘Frühromantik’) que vem sendo desenvolvida nos últimos anos em universidades brasileiras, alemãs e norte-americanas. Trata-se de identificar, na obra dos autores mais significativos do assim chamado Primeiro Romantismo, Friedrich Schlegel e Novalis, os pressupostos de uma teoria da linguagem que se sustenta nos pressupostos do Idealismo Alemão. O problema se delineia à medida que, para Novalis e Schlegel, contemporâneos do estabelecimento dos pressupostos que orientam a lingüística moderna, e, eles próprios, estudiosos de filologia, o problema da linguagem parece estar associado ainda a uma possível relação entre espírito e mundo, a qual, por sua vez, se opõe ao conceito hoje clássico da arbitrariedade do signo. No âmbito deste projeto de pesquisa, optamos por delimitar a investigação a uma narrativa curta do poeta, prosador e crítico Novalis (Friedrich von Hardenberg), intitulada “Die Lehrlinge zu Saïs” (1801). Considerada pela crítica como um fragmento de romance, a narrativa de Novalis apresenta um elenco bastante rico no que se refere aos pressupostos de uma possível teoria da linguagem, de caráter simbólico-poético e messiânico. Desta forma, a abordagem a “Os Discípulos em Saïs” terá como perspectiva a possível identificação, no texto literário, dos pressupostos de uma filosofia ou teoria romântica da linguagem, manifestada em alguns fragmentos do próprio Novalis e de seu contemporâneo Friedrich Schlegel.

 

Título: Do Não-eu ao tu: o destravo primeiro-romântico da filosofia fichtiana

Autor: Thiago das Chagas Santos

Vínculo: Ciências Sociais - UNESP-Araraquara

E-mail: leprozuz@yahoo.com.br

Resumo: Kant, ao procurar superar o racionalismo e o empirismo, o dogmatismo e o ceticismo, elaborou uma investigação em torno do alcance e limites da razão, porém, seu sistema deixou em aberto algumas contradições. Desta forma, toda filosofia pós-kantiana (e dentro dela podemos incluir os primeiros-românticos) se empenha na resolução destes problemas. Fichte, ao procurar um princípio superador, que eliminasse os dualismos que a filosofia de Kant não resolvia, elimina do pensamento o polo determinista, o mundo da natureza, afirmando como única realidade o Eu – princípio dinâmico criador de toda realidade. O que acreditamos ser o mundo da natureza, do determinismo, é apenas o não-Eu, que é derivado do Eu, sendo a função do não-Eu limitar o Eu, sendo esta função uma atividade livre e criadora do próprio Eu. Fichte rompe, assim, com o dualismo kantiano e risca do mundo da filosofia a coisa-em-si, que tantos problemas causou aos pós-kantianos. Porém, para Friedrich Schlegel, a coisa-em-si acaba reaparecendo na filosofia de Fichte na forma de travo. Schlegel se dá conta que a sustentabilidade do sistema kantiano repousa na fragmentação, pois como o Eu é para si mesmo logo existe um Eu fora dele, assim a fragmentação é constitutiva do Eu, e deve ser a forma de toda filosofia, por isso Schlegel postular um ‘sistema’ de fragmentos. O limite colocado ao Eu não é um não-Eu, mas um contra-Eu, não é um travo, simples reflexo do Eu, mas algo real, por isso só deve ser um Tu. Desta forma, reflexão interior e reflexão exterior são as mesmas coisas, e Schlegel percebe a necessidade de se ultrapassar a dialética para uma atitude dialógica, de diálogo entre as partes, e não mais pensar os pólos nos pares negatividade/positividade. Schlegel pretende resolver a questão do dualismo pensando o Eu finito como fragmento, sendo a tarefa essencial do pensamento o diálogo, a conversa, o que ele irá chamar de ‘sinfilosofia’ e ‘simpoesia’, intuição intelectual da amizade. 

 

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES “NARRATIVAS DO IMAGINÁRIO”

 

Título: Contos de Fadas (do mito à magia): a arte de narrar

Autora: Eliana Gabriel Aires

Vínculo: Professora da FE/UFGo

E-mail: eliel@cultura.com.br

Resumo: Os contos de fadas pertencem ao gênero literário que se identifica com a tradição popular e exerce grande influência em nossa cultura. Foram perpetuados por artistas anônimos através da oralidade, do contar, ouvir e da memória narrativa de gerações de contadores. As histórias que veiculam permitem às crianças vivenciarem de modo simbólico problemas psicológicos e lhes apresentam soluções. Para Bruno Bettelheim, nos contos de fadas a criança encontra o significado da vida e ainda neles “pode-se apreender mais sobre os problemas interiores dos seres humanos e sobre as soluções corretas para seus predicamentos em qualquer sociedade, do que em qualquer outro tipo de estória dentro de uma compreensão infantil” (1980, p. 13). Vários estudos entre eles os de Vladimir Propp e Erich Fromm afirmam a teoria segundo a qual o núcleo mais antigo dos contos de fadas deriva dos rituais de iniciação usados nas sociedades primitivas – sobretudo os ritos de passagem. Na estrutura dos contos se repete a estrutura dos ritos e dos mitos, que são as mais antigas criações do homem. O conto de fadas, o sonho e o mito têm em comum a linguagem simbólica, que é uma linguagem universal. Ao entendê-la nos colocamos em contato com as camadas mais profundas de nossa personalidade. Contar histórias sempre foi a arte de contá-las de novo, e é preciso continuar a contá-las para que elas não se percam. Benjamim nos adverte: “a arte de narrar está em vias de extinção. São cada vez mais raras as pessoas que sabem narrar devidamente” (1993, p. 197). O homem tem necessidade de contar histórias para entender a vida, a si próprio e ver alguma lógica em seu estar no mundo. Os autores originais dos contos de fadas eram simples contadores de história que prestaram um serviço inestimável à humanidade. Essas narrativas constituem uma forma de literatura que por muito tempo não foi escrita, apenas preservada pela tradição oral. É preciso, portanto, propiciar aos educadores possibilidades criativas para que sejam capazes de narrar, ouvir, ler e produzir novas histórias.

 

Título: A permanência dos contos de fadas

Autor: Marcos Antônio de Abreu Rodrigues (UFGo)

Vínculo: Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação; Curso de Especialização em Metodologia da arte de contar histórias aplicada à Educação – Universidade Federal de Goiás

Resumo: Contos de fadas escritos ou apresentados em CD-ROM, televisão, fitas VHS, etc. estão sempre presentes para o público infantil, independentemente da forma como são disponibilizados. Busca-se entender a questão da durabilidade destes contos. O que faz com que permaneçam em evidência no mundo moderno? Ao tentar responder a esta indagação percebe-se que os contos de fadas abordam de forma clara e realista problemas inerentes à vida humana e principalmente às crianças que estão formando e desenvolvendo suas personalidades. Ao abordar conflitos como medo, solidão e desprezo, estes contos contribuem para o desenvolvimento do caráter pueril ao apresentar de maneira simplificada, soluções que são passíveis de compreensão ao mundo infantil. Essa predileção por contos de fadas ou por histórias em geral faz parte da cultura humana. Eles se fazem presentes como elos de comunicação, de ensinamento, de identidade, sendo de difícil mensuração estabelecer o grau de afeição que as crianças sentem pelos mesmos, tamanho é a representatividade que possuem. Muito desses contos, talvez tenham se tornado clássicos por responder de forma sutil às questões levantadas pelas crianças. Elas se deixam levar pelo lirismo da narrativa, pelas imagens projetadas em seus pensamentos e por servir de porto seguro àquelas que precisavam de abrigo e proteção nas horas de dúvidas, angustias e medos pelos quais passam. Os clássicos infantis são obras do passado que possuem um reconhecimento intelectual que conquista leitores e ouvintes, principalmente, porque eles se deixam levar por esta arte que não tem fronteiras e em que o limite é a própria imaginação.

 

Título: ‘Reinações de Narizinho’: um Bildungsroman infantil, uma transgressão do gênero

Autora: Cristina Maria Vasques

Vínculo: Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários – UNESP–Araraquara

E-mail: cristinavasques@terra.com.br

Resumo: Propõe-se, aqui, pensar “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato, como um possível ‘Bildungsroman’ infantil, uma vez que o gênero, fora do ambiente cultural e literário alemão, só pode ser considerado quando levados em conta os desdobramentos das concepções históricas e culturais em diferentes momentos e lugares, ou seja, quando se admite sua “adaptação”, sua “transgressão”. No lugar do protagonista, que em “Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister”, de Goethe, obra que inaugura o gênero na Alemanha, é o próprio Wilhelm, Lobato coloca a boneca Emília que, como seu correspondente alemão, sofre todo um processo de formação. Na obra lobatiana, a boneca passa de um estado inanimado, totalmente dependente de sua dona Narizinho, para um estado animado e de independência. Passa, também, por um processo de aquisição de linguagem, pelo desenvolvimento de sua personalidade, pela aprendizagem da escrita mesmo sem ir à escola, pela aprendizagem do mundo, enfim. Ainda que não haja um crescimento cronológico, como acontece com o protagonista da obra de Goethe, há um amadurecimento cultural e pessoal, uma conscientização de si e do outro ao longo da obra de Lobato, à semelhança do que acontece com Wilhelm. Os dois protagonistas desenvolvem suas qualidades e talentos orientados por “preceptores”: Goethe dá a Wilhelm uma associação de homens sábios, a Sociedade da Torre, e Lobato dá à Emília Dona Benta, pessoa muito culta, e tia Nastácia, detentora do saber popular. Nas duas obras, a educação é transmitida por meio de um jogo de perguntas e respostas, com o objetivo de estimular o raciocínio do educando, mas a liberdade e o erro também fazem parte do “método” educativo. Por fim, “Reinações” também promove a formação do leitor (infantil), preocupação lobatiana.

 

 

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